quarta-feira, março 19, 2014

19 de Março

Hoje houve uma greve na cidade que fez com que nada funcionasse. Não sei se é coincidência, mas nem mesmo energia na residência nós tivemos (a internet fica ligada no no break, então dá para escrever aqui haha). 

De manhã tivemos aula de dança nepalesa, que é super confusa, mas foi bem divertido.. e cansativo! 3 horas de aula - 6 minutos de música para decorar em um dia! Haha. Depois do almoço fomos para o cinema assistir a um filme de Bollywood (não deu para compreender as falas, mas deu para entender a história, e era uma comédia bem legal.). Depois viemos para a residência e brincamos de alguns jogos, tipo Taboo. 

Fui perguntar sobre como lavar minhas roupas aqui, e descobri que a gente lava num balde lá no terraço (não faria sentido mesmo ter máquina de lavar se não tem energia). Mas vou deixar para fazer isso na segunda, porque amanhã eu e o meu grupo de voluntários - somos 6 no total - vamos fazer uma road trip para ver montanhas, em Pokhara! São 7 horas de viagem... S-E-T-E.

Provavelmente vou ficar sem escrever aqui até a volta. 

To mega ansiosa! 

Flores e Arroz

Muita gente me pergunta por que eu viajo para o outro lado do mundo para fazer trabalho voluntário ao invés de fazer na minha própria cidade. 

Respondo de duas formas: em primeiro lugar, a segurança que eu tenho aqui no Nepal é infinitamente maior do que eu teria na minha cidade. O único risco que eu corro é atravessando as ruas. Em segundo lugar, é óbvio minhas viagens não tem um propósito 100% altruísta. Eu escolhi vir para cá, assim como escolhi ir para a África no ano passado, para unir duas coisas que eu amo: conhecer um novo país, e entender de perto o cotidiano de outra sociedade. Como turistas, raramente mergulhamos profundamente na cultura do local de destino. Mas trabalhando, a gente passa a ter outra experiência, conhece muitas pessoas e passa a viver um pouquinho mais como eles vivem. 

Todo ser humano tem curiosidade sobre o funcionamento de algo. Alguns querem entender a ciência e o corpo humano, outros desvendam os números e o funcionamento do universo. Tem aqueles que adoram aprender sobre animais e a natureza. Já a minha paixão é explorar o funcionamento do mundo e das pessoas que moram nele.

Respeitar as opções dos outros é uma das maiores virtudes do ser humano. As pessoas são diferentes, agem e pensam de formas diferentes. Mesmo que você não compreenda, tem que aprender a não julgar.

Uma antiga história conta que homem estava colocando flores no túmulo de um parente, quando viu um velho chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado. Ele vira-se para o chinês e pergunta:
- Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o defunto virá comer o arroz? 
E o chinês respondeu:
- Sim, quando o seu vier cheirar as flores. 

18 de Março

Gostei muito de trabalhar no projeto de Pintura das Escolas! Primeiro a gente reforma os buracos das paredes, pinta de branco e depois vai desenhando, enfeitando um pouco. Quando eu era pequena, adorava colorir! Meus pais me davam telas e tintas de todas as cores que eu quisesse - as vantagens de ser primeira filha - e eu ficava lá pintando o dia todo. Mas aqui eles não tem muito material, e a gente tem que se virar com o que aparece. Um dos desenhos na parede ia ser uma árvore, mas não tinha a cor marrom.. Então eu aprendi a - pasme você: MISTURAR CORES! Hahaha.

Depois que saí da faculdade, desacostumei um pouquinho a trabalhar em equipe - no meu curso as atividades eram bem individuais, e você passa a maior parte do tempo pensando em tcc e prova da Ordem.. Então essa é uma parte legal do trabalho aqui.. Não tem aquela competição da "vida real". Não tem a tensão de ter que se superar a todo momento ou superar os outros. Ninguém se preocupa com reconhecimento pessoal. Você aprende a dividir as tarefas, a comida, e até a água - não dá para demorar muito no banho, porque a quantidade de água quente tem que ser suficiente pra todo mundo. O legal de pintar as salas é que você fica livre para usar sua criatividade. É uma forma de deixar sua marquinha ali naquele canto em que tantas crianças vão estar no dia a dia. Dá uma satisfação quando você percebe que mesmo algo que consideramos tão bobo, como pintar um passarinho, pode se tornar tão útil.

Nossas preocupações aqui são mínimas. Quando fiquei sem bagagem por dois dias (eles finalmente encontraram minha mala em Abu Dhabi), percebi que a única coisa da qual eu realmente senti falta foi das minhas havaianas (eu viajei de sapatilha, e acredite, não dá para usar sapatilhas aqui, tem poeira demais!). Fora isso, os dois pares de roupas que eu tinha na mochila foram suficientes. A gente fica desapegado mesmo! Nem lembro quando foi a última vez que usei maquiagem.

Li que Kathmandu, esse ano, está em quarto lugar na lista das cidades mais baratas para se morar. Para nós brasileiros, tudo aqui é MUITO barato. Comprei uma garrafa de água de um litro por 20 rúpias - o que dá, mais ou menos, 50 centavos em reais. E como toda nossa alimentação e transporte está incluso no pacote, a gente raramente mexe na carteira. E quando você vai comprar algo na rua, a regra é pechinchar - o que deixa tudo mais barato ainda.

Vamos fazer uma road trip esse fim de semana para Pokhara, que é a terceira cidade mais populosa do Nepal - e um dos destinos turísticos mais famosos. Uma viagem para lá, de três dias e duas noites, com tudo incluso (refeições, transporte e um bom hotel) vai nos custar 6.500 rúpias (Pouco menos de 160 reais).

Pois então, hoje a noite fomos para o centro da cidade jantar (todos estavam com saudade de comer carne), e tomar um vinhozinho no New Orleans. Adoro aquele restaurante!

Ah, e fiquei completamente apaixonada por um chá que eles tem aqui, o Masala chai. É tipo uma misturinha de chá preto, temperos indianos aromáticos, e leite. Muito bom! É o "café com leite" deles.


segunda-feira, março 17, 2014

O Poder da Ajuda

Certo dia, um discípulo seguiu seu Mestre em uma viagem.

Primeiro, foram até uma região onde havia fartura de arroz mas cujos habitantes possuíam talas em seus braços, o que os impedia de levarem o alimento à própria boca. No meio daquela fartura, passavam fome e eram fracos e subnutridos.

Em seguida, passaram para uma região próxima, que também tinha fartura de arroz e as pessoas também tinham os braços atados a talas, mas eram saudáveis e bem nutridas.

"Como isso é possível, Mestre?", perguntou ele.

"Nesta segunda aldeia, as pessoas usam suas talas para levar arroz à boca do outro. Dessa forma, todos se alimentam."


17 de Março

Por alguma razão, não consegui dormir nesta noite. Zero mesmo. Fui deitar pouco antes de meia noite, e fiquei acordada até o sol nascer. Não sei se foi o jet lag, ou se era a preocupação com a mala que ainda estava sumida - isso é o pesadelo de qualquer pessoa que viaja, né? Mas até que não fiquei cansada no resto do dia. Como eu sou nova, ainda não tenho trabalho na programação. Mas nenhum dos outros voluntários tinha chegado ainda, e eu já tinha passado o domingo todo dentro da casa. Então pedi para começar a trabalhar hoje.

Inicialmente eu tinha escolhido o projeto de trabalho na escola para dar aula para as crianças. Quando você chega aqui, descobre que existem mais projetos disponíveis do que aqueles que a gente vê no site. E se você quiser, pode trocar aquele que tinha escolhido, ou participar de mais de um. Como já tinha mais voluntários nas escolas e no orfanato, pedi para ir para o asilo, porque só uma das meninas da casa ia para lá hoje. Andando da casa até o asilo, acho que levamos uns 15 minutos. Em geral, os projetos não são tão longe. Não sei me localizar por aqui ainda, então fui junto com a Fernanda (minha roomie mexicana, adoro ela!).

Chegando lá, você vê um templo branco, lindo - acho que era um palácio antes. O Lar dos Idosos fica lá dentro. Não dá pra tirar foto - e nem acho que seria respeitoso tirar. Então o jeito é tentar descrever para vocês o que foi meu dia. Mas nada que eu falar aqui vai conseguir transmitir o que você vê lá ou o que sente.

O local é extremamente precário. Não tem sistema decente de esgoto, e é cheio de moscas. Mas os voluntários fazem o melhor possível diante da situação, com carinho e muita energia. Tem 40 idosos morando lá, homens e mulheres. O trabalho dos voluntários é basicamente: limpar as fraldas dos idosos, dar banho, lavar as roupas deles, levar lá para o pátio na cadeira de rodas (a maioria já não consegue mais andar), dar comida na boca (alguns não conseguem comer sozinhos), e lavar os pratos e banheiro. Pode ser bem cansativo... Levei quase 1 hora alimentando uma das mulheres de lá. De primeira você fica meio estático. Não sabe o que fazer. Mas logo você põe as mãos na massa e vai encontrando o que fazer. O trabalho lá é sempre pela parte da manhã, e o tempo até que passa rápido porque sempre tem MUITA coisa.

Mas mesmo com toda a intensidade do cenário, é possível enxergar beleza nas roupinhas coloridas que vestem nas mulheres depois do banho. Ou no sorriso que eles dão quando você tagarela sem parar em inglês - e depois descobre que eles não falam inglês. Mas carinho é universal, né? A gente entende um sorriso, independentemente do idioma. Tem alguns que até arriscam um pouco de inglês. Um dos senhores tava contando um pouco da história dele. Pelo que entendi, ele era Chaveiro antigamente, e fazia as melhores chaves da redondeza!

 Não sei descrever a sensação que você tem depois... É um pouco surreal. Você sai de lá sem acreditar que sim, você acabou de trocar as fraldas de uma senhora que você nunca viu na vida, num país que fica do outro lado do mundo. Mas é instantaneamente gratificante. Cada pedacinho de você começa a sorrir e chorar, simultaneamente.

Bem, pela tarde participei de outro projeto - pintar as paredes de uma escolinha nova. Depois conto um pouco mais sobre esse. Agora vou jantar!

Bjs!

domingo, março 16, 2014

Aonde quer que seus pés lhe levem

Aonde quer que seus pés lhe levem, siga seu próprio ritmo.
Não faça as coisas só porque ~todo mundo faz~.
Visite o que você quiser, levando o tempo que for preciso.
Não se prenda a pontos turísticos. Acorde a hora que quer, coma o que te der vontade, compre o que der na telha. Ande, dirija, fique sentado num banco... Não tem certo e errado.
Viajar é ser livre.
Claro que mostrar fotos pras pessoas que você ama é sempre divertido, mas o que importa mesmo são as memórias. E a elas, só você que tem acesso.

1st Day

Meu primeiro dia na residência da Idex foi muito tranquilo!

Cheguei ontem, a tardinha, e já conheci alguns dos outros voluntários. Fui recepcionada com um pontinho vermelho no meio da testa, haha. Pouco depois já me juntei a eles para jantar fora no New Orleans e tomar um vinho. Provei uma comida daqui chamada Momo. É tipo uma massa gordinha recheada de carne ou vegetais. E tem muito arroz, parece um pouco com o nosso no Brasil. Ah, é tudo muito barato aqui. A moeda se chama Rúpia Nepalesa - 1 real dá mais ou menos 40 rúpias. Comprei uma garrafa de 2 litros de água por 2 reais, e um kitkat por R$ 2,50.

Como minha mala está desaparecida, tive que comprar algumas coisas ontem. Ainda bem que minha mãe me convenceu de trazer na mochila algumas roupas, remédios e material de higiene (to vendo seu sorriso daqui, mãe). Hoje é um feriado nacional, o Holi. É o dia de celebrar a chegada da primavera. As pessoas se pintam de várias cores e saem brincando pelas ruas. Como é feriado, nada funciona. Nem o aeroporto (liguei para lá para saber da situação da minha bagagem, e o rapaz, muito alegremente, me explicou que não tem ninguém trabalhando hoje "afinal de contas, é dia do Holi, senhora!"). Sou tão brasileira que cheguei em dia de festa, hehe.

Já fui advertida para só sair de casa hoje com roupas velhas, porque todos estão jogando tinta uns no outros. Como eu to sem bagagem, resolvi ficar aqui na residência mesmo. Não sei quando vão achar minha mala, né? A casa é muito bacana, é como morar numa fraternidade. O staff também mora aqui. São 5 pessoas para dar assistência na casa, mas a limpeza dos quartos e banheiro é por nossa conta. E dos pratos que usamos também. Tem uma cozinheira para preparar nossas refeições: café, almoço e janta. Ah, já mencionei que a comida da casa é 100% vegetariana? Nossas fontes de proteínas vem da lentilha, ovos, cottage, grãos...

Claro que, se você não garantir comer só o que tem aqui, e não quiser gastar em restaurantes, existem mercadinhos em que você pode comprar as coisas para preparar. Mas decidi que vou tentar seguir o ritmo deles. Vamos ver se consigo ser vegetariana por algumas semanas. Inclusive, vamos ver se consigo ficar sem doces também? hahaha.

Então, o dia vai ser em casa mesmo, descansando da viagem longa e esperando o pessoal colorido voltar pra residência, haha. Amanhã os outros voluntários chegam. Enquanto isso to aqui na sala comum com os que ficaram em casa. Tem tipo uns colchões fininhos e grandes cobrindo o chão, cercados de sofás e almofadas. A gente fica deitado aqui mesmo, papeando... é bem legal. Apesar da luz ir embora quase o dia todo, a internet fica ligada no no break. As vezes é meio lentinha, mas dá para conectar.

É isso... Só o que tá faltando meeesmo é minha mala :(

Bjs

sábado, março 15, 2014

Minha Chegada

Assim que você sai do avião no aeroporto de Katmandu, já dá de cara com uma estátua de boas vindas de um Budha dourado. É um aeroporto pequeno, mas arrumadinho. Simples... (E, oh não! sem wi-fi!).

O visto você tira lá. 25 dólares americanos para um período de 15 dias. A fila é grande, mas o atendimento até que é rapidinho. E aí, pronto, cheguei no Nepal!

...

A primeira sensação que tive foi a de que ia sair correndo de volta pro aeroporto e pegar o primeiro voo de volta pro Brasil. Primeiro porque perderam minha mala. Segundo porque eu nunca tinha pego um choque cultural nas minhas outras viagens. Gente, aqui é outra coisa... Coisa que nem filme explica. De primeira, você se sente no meio de um caos. Mas depois entende que é um caos organizado. O transito é louco! Consegue ser pior que o de Manaus hehe. Mas mesmo em meio a confusão, nota-se que há um respeito, uma regra de conduta. Os pedestres atravessam tranquilamente em meio aos carros buzinando. Aliás, os carros são bem pequenininhos. A cidade é ABSURDAMENTE SEGURA. Você pode andar a vontade.

Inclusive, viemos andando pra casa e não tem luz nenhuma na ruela inteira. Há uma certa inocência nas pessoas daqui. Todas se cumprimentam com um "namastê" sorridente, e te ajudam se você precisar de direções. Um dos voluntários tava me contando que uma garota esqueceu a carteira em uma lojinha de rua, e o cara guardou pra ela, sem mexer em nada. Outra esqueceu o colar de ouro numa barraca de bijuterias, e a vendedora também guardou até que a menina voltasse. Essa segurança é perceptível quando se chega aqui.

Mas algumas coisas são difíceis de aceitar de primeira. Por exemplo: a luz vai embora duas vezes ao dia. E nem toda água é confiável para beber.
Notei que a cidade tem um cheiro próprio, nem bom nem ruim. Um cheiro diferente. É cheia de poeira e lixo nas ruas, cenário que só fica mais intenso quando você se depara com vacas e galinhas passeando normalmente. E a criançada corre de um lado pro outro na vizinhança em que fica a residência dos voluntários do Idex. É uma casa enorme, de três andares, com vários quartos e uma sala conjunta. Toda bonitinha. Os quartos super confortáveis. E os voluntários super simpáticos a acolhedores. Encontrei gente do Brasil (claro né, nós brasileiros estamos em todo canto!), Alemanha, Espanha, México, Áustria e Cingapura. Somos 15 no total. Alguns vão embora amanhã e outros chegam. Eu sou do grupo que começa nessa segunda.

 Quem já fez intercâmbio sabe como funciona: o programa começa toda segunda para um grupo  novo de pessoas, e toda sexta tem despedida de alguns. Fui a primeira do meu grupo a chegar aqui, acho que vem mais alguns brasileiros.

Quando cheguei, recebi um calendário das minhas atividades. Nos primeiros dias, não tem trabalho. É uma agenda bem cultural, com passeios educacionais sobre o Nepal, Yoga, e outras atividades. Cheguei certinho no dia anterior a um festival daqui chamado "Festa das Cores". As pessoas passam o dia jogando balões de água colorida uns nos outros, e a cidade fica cheia de concertos hindus. Parece bem legal.

Mal cheguei na residência e já saí com os outros voluntários para jantar no centro da cidade. Minha roomate é uma mexicana chamada Fernanda, super engraçada. Fomos todos em um restaurante local chamado New Orleans, com uma comida muito gostosa. Ah, não tem fast food em Kathmandu. Tinha uma Pizza Hut e um KFC, mas ambos fecharam.O jeito é comer o que a cidade tem a oferecer!

Confesso que ainda tô me sentindo um tantinho perdida aqui, e o friozinho na barriga persiste. Mas sabe a sensação de estar exatamente onde você deveria estar? Pois é...

Quase lá

Esse mundo tem muita gente. Bilhões de pessoas, de todo o tipo. E mesmo assim, as vezes você consegue umas raras proezas, do tipo: ser a única brasileira num voo Abu Dhabi-Nepal, o que rende muitas perguntas de pessoas que você encontra pelo caminho do tipo "que diabos você veio fazer aqui de tão longe?". Uma senhorinha puxou assunto comigo antes do embarque, mantendo todo o tempo uma expressão incrédula e desconfiada por eu ser uma brasileira de 22 anos viajando sozinha:"você não tá atrás de marido não, né menina?". Simpática até... acho que era indiana.

Bom, esse já era meu quarto voo. Claro que eu tava morta, né? Meu sono foi tanto que capotei logo que entrei no avião, e acordei um tempo depois com os barulhos da camera do senhor que estava sentado ao meu lado. Fiz minha melhor cara abusada de "não acredito que você está interrompendo meu sono para tirar fotos de nuvens!". Como fiquei sem sono, passei a observar as nuvens também. "Hm, até que elas estão bonitinhas mesmo. Mas o que é essa coisa branca acima delas?"

E foi aí que entendi que ele estava, na verdade, tirando fotos do Monte Everest!

O Diamante

Uma parábola Hindu conta que, certo dia, um homem chegou aos arredores de uma aldeia e lá sentou-se para dormir debaixo de uma árvore. Chegou correndo, então, um habitante daquela aldeia e disse, quase sem fôlego: 

- Aquela pedra! Eu quero aquela pedra.
- Mas que pedra? - pergunta-lhe o Hindu.
- Ontem à noite, eu vi meu Senhor Shiva e, num sonho, ele disse que eu viesse aos arredores da cidade, ao pôr-do-sol; aí devia estar um Hindu que me daria uma pedra muito grande e preciosa que me faria rico para sempre.
Então, o Hindu mexeu na sua trouxa e tirou a pedra e foi dizendo:
- Provavelmente é desta que ele lhe falou; encontrei-a numa trilha da floresta, alguns dias atrás; podes levá-la!
E assim falando, ofereceu-lhe a pedra. 

O homem olhou maravilhado para a pedra. Era um diamante e, talvez, o maior jamais visto no mundo. Pegou, pois, o diamante e foi-se embora. Mas, quando veio a noite, ele virava de um lado para o outro em sua cama sem conseguir dormir. Então, rompendo o dia, foi ver novamente o Hindu e o despertou dizendo: 

- Eu quero que me dê essa riqueza que lhe tornou possível desfazer-se de um diamante tão grande assim tão facilmente.
 

A História do Nepal

Cheguei em Abu Dhabi agora pela manhã. São 8 horas a mais do horário de Manaus. Ja mudei tanto de fuso que já perdi até a noção do tempo e me peguei querendo almoçar agora hahahah.
Enquanto espero o próximo (E ÚLTIMO) voo, resolvi pesquisar um pouquinho sobre a história do Nepal:

Dizem que antigamente a região de Catmandu era um imenso lago. Esse lago teria sido destruído por um discípulo de Buda, com uma espada especial. 
Lendas a parte, é sabido o povo quirate invadiu essa região no século VIII a.C. Assim começou uma loooonga sucessão de reis.

Por um certo período, houve domínio da Inglaterra sobre o Nepal. Ao recuperar sua independência, voltou a ser uma monarquia.

Entre 1775 e 1951, o Nepal viveu conflitos entre a família real e algumas famílias nobres. Em 1959 uma Constituição foi aprovada e instituiu-se um Congresso Nacional, que foi dissolvido pelo rei um ano mais tarde devido a muitas divergências políticas.

Vale lembrar que o Nepal, nesta época, era praticamente fechado para os estrangeiros! E mesmo os que vinham a convite da família real não tinham permissão para sair do Vale de Katmandu. 

Em 1990, vários protestos fizeram com que o rei engolisse um novo gabinete composto por figuras da oposição. Nesse mesmo ano, foi aprovada uma nova Constituição. 
Uma guerra civil iniciada pelos maoístas em 1996 terminou afastando muitos turistas. 

Curiosamente, até 2008, o Nepal continou sendo uma monarquia constitucional, em que o primeiro-ministro governava com o Conselho Nacional e com a Câmara dos Representantes, mas em 28 de Maio daquele ano, a assembleia constituinte do país aboliu a monarquia a favor da instauração de um governo republicano e democrático, acabando assim a última das monarquias hinduístas sobrevivente no século XXI.

As informações que encontrei são um pouquinho confusas - e algumas contraditórias. Imagino que o jeito vai ser terminar as pesquisas por lá mesmo. 

Bjs!

sexta-feira, março 14, 2014

Segunda Conexão

10hrs de voo. Cheguei pela manhã, e, GRAÇAS A DEUS, meu próximo voo é só 21:00h. Vim para um hotelzinho proximo do aero descansar um pouco.
Mazolhaa como tem gente pilantra em TODO CANTO: quando cheguei aqui em Paris, fui atrás de taxi. Daí uns homens - daqueles que não são taxistas mas ficam ali esperando alguém topar uma carona pelo triplo do preço - quiseram me convencer a pagar 90 euros para ir com um deles. NOVENTA, é mole? Ainda ficaram falando que nenhum dos taxistas do aeroporto toparia me levar, porque o hotel era ~perto demais~. "Faço por 50 euros para você, então, garota!"
Eu fico logo irritada! Ta aqui uma lição que aprendi: quando você não tiver um bom feeling em certas situações, não tenha medo de cair fora. Nao se preocupe se vai estar ofendendo alguém. Sei que é óbvio ter esse cuidado né, mas já fui de cair nessas leseiras quando viajava sozinha mais nova e saía no preju. Acreditava em tudo que falavam, "afinal de contas eu estou na França, e quem é que vai enganar um turista aqui?".
Virei as costas e fui pegar um taxi la na fila de fora. Resultado: apenas 10 euros para chegar no hotel.
Minha mala foi direto, então eu trouxe uma mochilinha com coisas básicas e uma muda de roupa. Próxima conexão: Abu Dhabi! (Reparem que to fazendo um tour pelos aeroportos de cada parte do mundo hahahaha).
Bjs!

quinta-feira, março 13, 2014

Learning and Teaching

Cheguei em São Paulo exausta, e ainda faltam 3 vôos até chegar em Catmandu. E nossa, to super ansiosa! Nesse momento faço minhas as palavras da escritora Elizabeth Gilbert:  Viajar é a verdadeira grande paixão da minha vida! Compensa qualquer custo ou sacrifício. Tenho pelas minhas viagens o mesmo sentimento que uma feliz nova mamãe tem por seu recém-nascido barulhento, inquieto e cheio de cólicas... não ligo para o que elas me fazem suportar! Simplesmente porque eu as adoro. Porque elas são minhas. Porque são exatamente minha cara! 

Não sei bem o que esperar de lá, e já me deu aquele frio na barriga típico de quando nos deparamos com algo novo. Deixo claro aqui que escrever no blog um pouco do meu cotidiano tem o propósito de registrar algumas das minhas memórias para que eu possa sentir meus amigos e familiares pertinho de mim. Se esses textos ajudarem alguém que também está interessado em embarcar numa viagem dessas, fico feliz, e colocarei aqui todas as infirmações que eu descobrir por lá.

No mais, não quero fazer parecer com que esta aventura seja algo homérico. Os verdadeiros heróis do mundo são aqueles que participam todos os dias da justiça social e melhora do planeta, né? Sou até da opinião de que este programa de Trabalho Voluntário, ainda que ajude outras pessoas, ajuda mais ainda a pessoa que embarca, pois é saindo da nossa zona de conforto que conseguimos entender, de fato, o quão grande o mundo é.

Estou indo na intenção de ensinar um pouco e aprender muito. Não existe aqui o "fazer sua parte". A responsabilidade que temos na melhora do mundo é constante. É gigante. É eterna. E é bem simples.

Neste momento estou embarcando para o próximo voo, mor-ta!! hahaha.
Conto um pouco mais quando chegar por lá (e se a internet permitir!)
Bjs

Antes de Embarcar

Sempre tive uma vontadezinha de conhecer a Ásia. Mas não queria num pacote de turismo, e intercâmbio de idiomas por lá seria um tantinho difícil, né? Então vi no site da CI (www.ci.com.br) a opção de ir fazer um programa de trabalho voluntário no Nepal. 

A CI é a agência pela qual eu fecho todos os meus intercâmbios, desde os 16 anos. Só tenho coisas boas a falar, tudo é organizadíssimo! Se você vai viajar sozinho, como eu, recomendo de verdade o serviço dessa empresa, viu? 

Pois então, depois de muito choramingar bastante para convencer meus pais a me deixar ir para o outro lado do mundo - essa foi a parte mais difícil, hahaha - fechei um pacote de algumas semanas para trabalhar numa comunidade gerenciada pela Idex, uma organização com sedes no Nepal e na Índia que objetiva promover programas de voluntariado para jovens. O meu vôo sai de Manaus, e passa por: São Paulo, Paris, Abu Dhabi, e.. finalmente (!!!), chega em Catmandu. Saio na quinta de manhã e chego lá no sábado a tarde.

Como eu vivo sem tempo (leia-se: com muita preguiça), só fui ler hoje o manual que a empresa manda com as instruções para os participantes. Vou explicar resumidamente como esse programa funciona: você fica hospedado em uma das acomodações da organização junto com outros voluntários do mundo inteiro, e trabalha em uma das atividades que eles tem a oferecer. É um programa que busca, ao máximo, a submersão na cultura local. Você é instruído a se portar e se vestir respeitando os costumes de lá. Mas isso é questão de bom senso em todo o mundo, né? 

Sobre o trabalho, você pode escolher entre:

1) Programas Educacionais: Nesse caso, suas atividades serão ajudar os professores locais nas salas de aula. As escolas no Nepal geralmente são muito grandes e tem uma equipe pequena, então a ajuda é realmente necessária. Quando é preciso, pode acontecer de você próprio dar aula para as crianças, geralmente de inglês ou matemática. Os voluntários também podem dar aula para crianças com necessidades especiais. Esse foi o programa que eu escolhi.
2) Pré-Escola: São creches em que os voluntários cuidam das criancinhas carentes e em fase de crescimento. O conceito de creche é diferente do que conhecemos. Lá, o propósito é dar cuidados básicos às crianças que não moram em locais apropriados para seu desenvolvimento saudável.
3) Assistência à mulher: É um programa bem diferente dos outros. Aqui, as atividades são destinadas à mulheres adultas de comunidades carentes, muitas vezes novas mamães. Os voluntários dão aulas de inglês, informática e instruções para que elas, além de melhorar a auto estima, consigam empregos.

Depois de selecionar o programa em que mais se encaixa, você é submetido a uma avaliação online do seu inglês. Se for aceito, tem que preencher uma ficha sobre suas perspectivas quanto ao programa Voluntário. Fui instruída de que quando chegar no Nepal, há uma reunião com a equipe da Idex para se certificar que você tem afinidade com a atividade que escolheu.

Nos documentos que eles enviam por e-mail semanas antes de você embarcar, existem certas informações que você deve saber antes de ir. Fiz um resuminho das mais importantes:

1- Vestimenta: é expressamente proibido o uso de roupas que escandalizem a cultura local. Mas isso é questão de bom senso, né gente? Num país em que 80% da população é Hindu, 10% budista, 8% muçulmana e 2% cristã, fica meio óbvio que shortinho não é apropriado. Eles recomendam que as mulheres voluntárias usem roupas que cubram os tornozelos e ombros. Vi que a maioria das mulheres de lá usam Sarees coloridos. Achei o máximo!
2- O uso de câmeras e vídeos dentro das áreas dos projetos não é recomendada. Então dificilmente vou ter como colocar fotos das crianças em sala de aula. 
3- Os portões das acomodações se fecham, em dias de semana, às 11:00pm. Quem for sair pela cidade e voltar depois desse horário, tem que encontrar outro local para dormir. 
4- Nos horários em que não há atividades do voluntariado, você fica livre para explorar a cidade. A própria organização oferece passeios e excursões muito legais.
5- Depois que você encerra o período do programa, recebe um certificado oficial da empresa com as informações sobre satisfação do seu trabalho. 
6- Há um refeitório próprio para os voluntários fazerem suas refeições. A alimentação é inclusa no pacote, e você pode comprar lanchinhos nos mercados locais. Depois de comer, tem que lavar os pratos e deixar tudo bonitinho. As comidas de lá tem fama de ser muito bem preparadas e temperadas, tendo como base vegetais e grãos locais.
7- Você dorme em um quarto equipado para 2-4 pessoas, com banheiro. Você recebe uma chave própria e devolve no fim do programa.
8- A acomodação dos voluntários vem equipada com cozinha, tv e área para recreações. E aliás, quem limpa seu quarto é você (e seu roomie). 
9- Há uma equipe para ajudar caso você tenha problemas de adaptação. Mas recomendo aqui para você que escolheu ir para este tipo de aventura: vá com a cabeça aberta. A sensação de poder descobrir algo novo e se adaptar é algo maravilhoso se você tiver paciência e calma. 
10- Apesar de Catmandu ser uma cidade pacata, tem que ter muito cuidado. As pessoas tem fama de ser prestativas e simpáticas, mas sabemos que existe mal em todo canto né? Li que, anos atrás, uma voluntária resolveu sair para beber e pegou carona num carro com um grupo de jovens de lá. Resultado: foi violentada.
11- Há locais próprios para acesso a internet, mas dependendo da área da cidade, a conexão pode ser um pouco lenta. Confesso que fiquei aliviada quando li isso. Eu já estava com medo de não ter como me comunicar com meus pais e amigos de lá... magiiina ficar sem whatsapp!

terça-feira, março 11, 2014

Diário de Bordo: Nepal

Eu raramente pesquiso muito sobre um lugar antes de viajar. Não é por preguiça.. Ok, talvez seja um pouco.. mas é também uma forma de tentar me surpreender com o que eu possa encontrar por lá.
Só que quando meu destino já é uma surpresa por si próprio, e a atendente da TIM faz uma careta de "wtf" quando eu digo "Eu vou pro Nepal, preciso habilitar meu celular", pensei: cara, não custa nada dar uma olhadinha no que o google tem a dizer, né?

Pois é... Eu vou pro Nepal! Como me formei no início desse ano, resolvi usar o resto do semestre para viajar sozinha. Daqui a 3 dias deixo minha cidade, e minha primeira parada é em Catmandu, a capital nepalesa. O Nepal fica ali na Ásia, pertinho da Índia. Vou participar de um programa de trabalho voluntário em uma comunidade rural (explico melhor quando chegar lá). Sei que você está querendo me perguntar algo, e minha resposta é: não.. não sei porque escolhi o Nepal. Mas ir pra lá just feels right...

Pesquisando mais sobre o país, já dei de cara com uma notícia ruim: um avião pegou fogo lá neste domingo. Bad timing, hein? Mas ignorando as notícias ruins, eis o que descobri:

1- O Nepal é conhecido como o Teto do Mundo, porque 10 das 15 maiores montanhas mais altas do mundo estão lá, inclusive o Monte Everest

2- Lá existem mais de 100 etnias e idiomas, mas o oficial é o ~nepalês~
3- A bandeira nacional é a única no mundo que não tem forma quadrilátera

4- é o segundo país menos desenvolvido da Ásia, economicamente e socialmente
5- a alimentação básica deles é composta de arroz e lentilhas (inclusive 90% da população vive da agricultura, especialmente do cultivo de arroz)
6- é o país em que Buda nasceu

7- a maior parte das casas é feita de bambu

8- em termos religiosos, 80% dos nepaleses sao hindus, e 10% budistas e o restante se divide em muçulmanos e cristãos
9- casamentos aos 6 ou 7 anos de idade ainda sao comuns nas zonas rurais do Nepal
10- é um dos poucos lugares do mundo em que existe a poliandria, sistema em que uma mulher pode casar com mais de um homem
11- o turismo ajuda muito na economia local, já que o país recebe cerca de 500.000 turistas por ano
12- a permissao do governo para você escalar o Everest custa entre 10mil e 25 mil dólares
13- no final de 2007 houve a abolicao da monarquia, e o país passou a ser uma república, governada pelo partido comunista unificado do nepal.
14- sabado é o dia oficial do descanso
15- em Catmandu, há um altar dedicado ao dente dolorido, onde milhares de moedas pregadas ajudam a resolver males odontológicos.
16- é uma sociedade de pessoas muito tranquilas e alegres, sem grandes índices de violência, mas mesmo assim, é bom ficar de olho nas bolsas (mas ter atenção é a regra no mundo inteiro né?)


É isso! O resto pretendo descobrir junto com vocês!

sexta-feira, dezembro 13, 2013

Nossas Estações (ou Saldo de Dezembro)

Apesar de um ano ter quatro estações, eu diria que nós, seres humanos, temos 365. A cada dia estamos mudando, mesmo que de forma imperceptível. Nossas cores e temperaturas permanecem as mesmas, mas dia após dia nos tornamos diferentes. No interior e no exterior. Aprendemos com nossas dores, nossos acertos, e com as dores e acertos dos outros. E é principalmente quando dezembro chega que nós finalmente sentamos, suspiramos e nos damos contas de quantas folhas precisamos perder, quanto frio precisamos passar, como o calor do sol deixou aquecidos e quantas lindas flores e frutos nasceram na gente.

terça-feira, novembro 26, 2013

"LIÇÕES DA HISTÓRIA PARA UMA VIDA MELHOR"

TEMPO.

"Saber que horas são é uma droga, e a maioria de nós é viciada nisso. Se você esquecer seu relógio em casa por acidente, talvez comece a perceber a freqüência com que lança um olhar para o pulso ao longo do dia. Não saber a hora nos deixa ansiosos e frustrados.

Estamos constantemente nos apressando para poupar tempo, mas não há bancos onde depositar aquilo que economizamos. Criamos nossa obsessão com o tempo e estamos agrilhoados por correntes que nós mesmos fabricamos. Precisamos fazer muito mais do que "administrar" o tempo. A história oferece ideias que nos ajudam a resistir à tirania do relógio. 

Nossa cultura ocidental é dominada por uma noção linear do tempo: a flecha vem do passado, atravessa o presente e ruma para o futuro. Temos uma clara incapacidade de nos localizar no presente e experimentar o agora. Desenvolvemos até o notável hábito de equiparar "estar ocupado" - sem tempo - a ser bem sucedido. Diminuir a velocidade, ao que parece, tornou-se um luxo reservado sobretudo aos ricos ociosos e aos que vivem em países como a Indonésia, onde o ritmo de vida é muito mais lento.

Na ilha de Bali, tem-se uma concepção cíclica do tempo. O calendário, chamado Pawukon, compreende uma série de rodas dentro de rodas, determinando quais dias tem um significado ritual específico. Assim, a principal finalidade não indicar que dia é, mas sim que tipo de dia é. O tempo balinês se divide em dois tipos: dias cheios, em que alguma coisa de importância acontece, e dias vazios, em que não acontece grande coisa. Se você pergunta para um balinês quando ele nasceu, é bem provável que ele responda com algo equivalente a "numa quinta feira". O momento é mais significativo que o ano.

A maioria de nós compreende as virtudes de avançar mais devagar, de dedicar mais tempo para visitar os amigos, brincar com os filhos, contemplar um belo pôr do sol, saborear uma refeição deliciosa ou desenvolver uma reflexão. Mas nos parece dificílimo fazer isso. Nossa cultura da alta velocidade de prazos finais, mensagens instantâneas e lanches rápidos dificilmente o permite.


Por que nos parece tão difícil ir mais devagar? Podemos em parte, ser herdeiros de uma ética que nos encoraja a acreditar que o tempo deve ser usado sempre de "maneira produtiva e eficiente". Sentimos que deveríamos estar completando tarefas, riscando-as de uma lista. Mas é possível que muitos de nós sejamos impelidos pelo medo. Temos tanto medo de ter horas mais longas, vazias, que as enchemos de distrações, esforçamo-nos para nos manter ocupados. De certa forma, tememos o tédio. Uma explicação mais profunda é que temos medo de que uma pausa prolongada nos dê tempo para perceber que nossas vidas não estão exatamente como gostaríamos. O tempo para contemplação tornou-se objeto de medo. 

Temos uma concepção extraordinariamente estreita do que constitui o "agora". Que tal expandir nossa ideia do presente para um "longo agora", em que o agora abrange milhares de anos? Esconder seu relógio numa caixa de sapatos por uma semana é um experimento que vale a pena."


Roman Krznaric

sábado, outubro 19, 2013

Walt Whitman

"Escuta, não dou lições nem esmolas, quando eu me dou, é por inteiro."

terça-feira, outubro 15, 2013

CLUBE DO LIVRO




Eu e uns amigos estamos fundando um Clube do Livro! Vamos escolher um título por mês, ler, e nos reunir para discuti-lo juntos, darmos nossas opiniões, e interagir acerca dos temas dos títulos escolhidos. E já que o número de interessados cresceu bastante, estamos convidando a todos que quiserem participar também!

A primeira reunião vai acontecer em 14 de Novembro, às 20hrs no Clube do cond Jardim das Américas, na Ponta Negra.

O primeiro livro escolhido foi "Cidade de Papel", do John Green, que pode ser comprado na Saraiva. 
Basta ler e aparecer no dia da reunião para participar, lá vamos escolher o próximo (provavelmente de um autor brasileiro), e daí segue em diante. 

Qualquer dúvida é só falar no e-mail bruna_chixaro@hotmail.com, ou pelo facebook.