segunda-feira, março 14, 2011

The Heart

A heart is a fragile thing. That's why we protect them so vigorously, give them away so rarely and why it means so much when we do.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

miss you, miss you

Letter to Mr. Valentine

Dear Valentine, come away with me. If I had a day with you and you only, I would enjoy the simple things. The things that, in the end, when time steals the rest away, are the only things we'll remember. I would paddle you across a still lake in a rowboat and read poetry to you until you fall asleep and I would never think about the hours.
Dear Valentine, if I had one day with you and you only... I would admire every line of your face, every strand of your hair... Every graceful movement of your hands or your eyes or your body. If I had one perfect day... Don't you see? My heart beats only for you. Dear Valentine, these are the things I remember of my love. A warm hand, a warm breath. Your warm mouth. Your arms around mine... I remember feeling safe, cease-less. Like one person. The two of us still, at rest, entwined... I remember how I felt the first time I kissed you. It felt like the high dive.
What do you remember? How will I ever know what was inside your heart? Where did they go? All the things we think and feel but don't say. Dear Valentine... These are the things I never told you. These are the things I need you to know. That I loved you always. And my love was so big, it lives still after you're gone. I'd like to tell you that I would do it differently. That if I had one more day I would do everything right. But I know that isn't true. I'd make all the same mistakes. That is except one. I wouldn't say goodbye.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Ephram Brown

"Quanto mais as coisas mudam, mais elas permenecem as mesmas. Quanto mais eu conheço a pessoas, mais eu percebo que essa é uma falha de todo mundo: continuar sendo exatamente o mesmo pelo máximo de tempo possível. Você sabe que mesmo estando com dor, pelo menos a dor é familiar. E se você sai da sua zona de conforto e faz algo inesperado, quem sabe qual o outro tipo de dor que pode estar esperando por aí? Então você mantém seu status quo, escolhe um caminho já conhecido, e não parece assim tão ruim. Você não é um viciado em drogas, você não está matando ninguém.. exceto talvez um pouquinho de você mesmo.
E quando você finalmente muda, acho que não acontece como um terremoto ou uma explosão, e de repente você é essa pessoa totalmente diferente. Acho que é mais devagar que isso. É de forma que a maioria das pessoas não percebe a não ser que olhem bem de pertinho - o que, graças a Deus, elas nunca fazem. Mas você percebe. Dentro de você, aquela mudança parede um munto inteiro de diferença, e você espera que seja isso mesmo. Que essa seja a pessoa que você vai ser pra sempre. Que você nunca tenha que mudar mais uma vez."

quinta-feira, janeiro 27, 2011

O Bom e O Melhor

O Bom é inimigo do Melhor. Muitas vezes na vida a gente deixa de ter o Melhor porque nos contentamos com o Bom. Sabedoria é não só saber diferenciar as boas escolhas e as más, mas também saber diferenciar as escolhas boas das escolhas melhores.

Quem faz várias boas escolhas tem menos energia para buscar as melhores. Então, para ser melhor, faça o melhor e escolha o melhor.

It’s best to go for what’s best and not just what’s good or even very good.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

10 de Janeiro - Vancouver Trip



A preguiça de vir aqui registrar meus dias ta enorme! Resumindo o que aconteceu do dia 3 pra cá teve: snowboard na Seymour (gente, uma piada, caí tanto!), aquário com show das belugas (LINDAS!!!!!), show do Joe Satriani (durante o qual eu, para revolta geral dos meus amigos, dormi), passeio de bike com os amigos no Stanley park, visita ao English Bay, jantar no Old Spaghetti Factory (um restaurante italiano MUITO bom em Gastown), um passeio amedrontador na Capillano Bridge (uma ponte suspensa alta DEMAIS), e outros passeios que eu até ja esqueci.

Hoje passamos o dia inteiro no shopping fazendo compras, as garotas e eu tentamos ao máximo não gastar muito! E os meninos se divertiram segurando nossas sacolas - ou não...

E agora to terminando meu dever de casa enorme. 

Ah, a notícia do jornal de hoje é que há um serial killer à solta em Vancouver, atacando garotas morenas de 15 a 30 anos. Boa sorte pra mim e pra Jéssica... 

Beijo, tchau!

domingo, janeiro 02, 2011

Vancouver Trip - 2 de Janeiro

De sexta pra cá as coisas foram bem divertidas!

Pra começar, sexta a tarde eu e as garotas fomos pro musical do Quebra Nozes, no Queen Elizabeth Theatre. Quem gosta de teatro tem que ficar de olho nas programações de lá, eles sempre tem alguma coisa interessante! E eu nunca tinha assistido ao ballet do Quebra Nozes... amei amei!



Depois fomos para casa e nos arrumamos para o ano novo. Ninguém merece o meu caminho pra casa.. já falei que moro na montanha? Mas enfim, fui né, didn't have a choice.. 

Vancouver não tem queima de fogos. Ou você tem uma festa bacana para ir, ou vai passar no meio da avenida principal, num frio intenso, com uma contagem regressiva feita pela própria multidão. Eu estava nessa segunda opcão...

Então depois, fomos dormir. Badass, né? Hehe. Mas ouvimos falar que legal mesmo é ir pro Polar Bear Swim! É tipo um evento que acontece todo ano em Vancouver no primeiro dia do ano em que as pessoas entram no mar.. É, tipo, no mar.. de biquine.. no inverno! E FOI MUITO ENGRAÇADO! Rimos demais! Tinha gente com todo tipo de fantasias, gente pulando no mar de biquine, e até mesmo de roupas.. e tava lotado!  Fui checar a possibilidade de fazer o mesmo e... esquece! A água tava MUITO GELADA.

Aí a gente foi almoçar la no Samba, um restaurante brasileiro bem legal, com um churrasco delicioso.

Hoje (domingo) eu acordei morrendo de sono, mas cheguei a tempo de encontrar todo mundo la no estação da Waterfront. Depois de algumas horas nós fomos pra North Vancouver, a parte montanhosa da cidade, explorar um pouquinho mais. Fomos na Ponte da Capilano, e meu medo de altura quase me levou às lágrimas. (Vide Foto)

Mas o cenário é lindo, tiramos muitas fotos das montanhas! Daí almoçamos por lá mesmo, e no fim da tarde pegamos o seabus de volta e fomos ver o jogo dos CANUCKS! WHOA!! Esqueci agora o nome do Pub, mas fica na própria Waterfront, e tem a melhor combinação de cerveja escura e batata-frita (doce) do mundo!

Voltei ainda agora pra casa, e to morrendo de frio, e meu quarto não tá tão quentinho. Hoje chegou uma russa na minha homestay, mas quando eu voltei pra casa ela já tinha ido dormir, então só vou conhece-la amanhã!


E o melhor de tudo é que amanhã é feriado e não temos aula.

To amando tudo, e a boa companhia dos amigos só ajuda!

Beijinhos!




sexta-feira, dezembro 31, 2010

31 de Dezembro (New Year's Eve)

Eu sempre digo que o ano passa muito rápido, mas passa mesmo, né? Todo ano eu faço resoluções, pedidos e desejos de coisas que eu quero pra minha vida. Mas hoje eu resolvi agradecer a Deus por tudo que eu tenho.

Que o ano que vem seja, pra todo mundo, mil vezes mais maravilhoso que esse.

Happy New Year!

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Vancouver Trip - 29 de Dezembro


Quando você for fazer intercâmbio no inverno, torça, mas torça MEEEESMO, para a sua homestay ter 3 coisas: aquecedor, chuveiro de água quente, e algum meio de transporte bem pertinho. Eu tenho os dois primeiros, mas chegar em casa é uma verdadeira trilha!

Meu dia foi muito divertido! To muito cansada, e olha que tá super cedo, mas acho que nunca andei tanto! Pra começar, hoje de manhã me perdi (de novo)! Não sabia a parada da escola, e desci acidentalmente na Chinatown, e ainda era 7 da manhã. Vancouver é uma cidade segura, claro, mas ir pra Chinatown sozinha uma hora daquelas é um pouco perigoso. 

Eu ia ter que andar muito pra chegar na minha escola, mas quem disse que eu sabia a direção certa? Mas nessas horas em que eu faço minhas besteiras, só Deus mesmo para me ajudar, né? E então um homem, com muita pena de mim, me ensinou a chegar na escola em segurança. Quem vier pra Vancouver, não ande sozinho em determinadas partes da cidade.

Mas enfim, cheguei na minha escola, a ILAC, a tempo de ir pra aula. Hoje a gente recebeu o livro e nos mostraram nossas salas de aula. As aulas são super legais, fiquei numa sala de gente jovem, a maioria de brasileiros. Ri bastante, fizemos algumas atividades, e depois fomos almoçar fora com uma parte da galera. 

Voltamos pro colégio, e tivemos aula até as 14hrs (já tava morrendo de sono!). O resto da tarde foi super divertida, fomos pro Pacific Centre, que é um shopping grande perto do colégio, com muitas lojas incríveis. Vale a pena conhecer. Dia 26 de dezembro é um feriado em Vancouver chamado boxing day, que acaba virando boxing week. Nessa semana, os preços de tudo que você imaginar vão láa pra baixo, e os shoppings ficam lotados. É como o black friday.. E as coisas ficam mesmo bem baratas, inclusive as roupas de frio. 

Compramos os tickets pra ver os Giants jogarem dia 11.

E mesmo sendo o primeiro dia, já estamos cheios de homework..

Beijos, boa noite!

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Vancouver Trip - 28 de Dezembro.


Já mencionei que na minha primeira vez em Vancouver era o Fabrício quem me guiava pra todo canto? Meu senso de direção é péssimo!

Então, 40 minutos depois de sair de casa eu consegui chegar no colégio, fiz os testes de nivelamento e teve a apresentação da escola. Coisa básica de primeiro dia..

Depois disso o grupo todo resolveu andar um pouco pela cidade, comemos pizza, fomos na Future Shop, uma loja de artigos eletrônicos bem famosa no centro da cidade. Fica na 1740, W Broadway St. Quem quiser comprar eletrônicos aqui, tem que dar uma passada lá. As lojas são enormes, e tem de tudo!

Ah, e nesse fim de semana vai ter o musical russo do Quebra Nozes! Compramos os ingressos hoje. Infelizmente não conseguimos ingressos para o jogo dos Canucks. Apendi a alguns anos atrás que hockey pode ser bem divertido!

O frio tava suportável, e a cidade tá super linda com os enfeites de natal. Na verdade, o frio tá melhor do que eu pensei que estaria. E na hora de voltar pra casa eu descobri que subir uma montanha é realmente muito mais difícil que descer! O caminho para a minha casa é digno de filme de terror. É tudo escuro, cheio de arvore, neblina.. parece que a qualquer momento vai aparecer um urso! (Mas acho que eles tão dormindo essa época do ano, né?).

Jantei em casa sozinha, porque minha hostmom e a filha tinham ido ao cinema.

Beijos, boa noite!

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Back to Canada!

Depois de três anos, resolvi voltar para o Canadá! Meu primeiro intercâmbio foi aqui, mas eu era tão novinha que quase não conheci a cidade direito. Minha amiga Jéssica, então, me convenceu a vir mais uma vez. 
Vancouver é um dos destinos mais populares para quem quer fazer intercambio. E não é à toa... A cidade é toda feita para receber estudantes. Super segura, bem sinalizada, repleta de transportes públicos, e pessoas dispostas a te ajudar. O cenário lindo tem de tudo: praia, parques, montanhas... E a neve deixa tudo mais bonito ainda. 
Pois então, depois de dois dias cansativos de avião, aeroporto, passaporte, imigração, etc etc, eu finalmente cheguei em Vancouver. Tinha esquecido de como o frio é tenso em Janeiro. Mas as casas e os restaurantes são bem aquecidos, e você não precisa usar mil casacos, a não ser quando está na rua. 
Bem, é isso.. Amanhã é meu primeiro dia de aula. Me desejem sorte! 







quinta-feira, dezembro 09, 2010

Love Comes From The Inside

Amor pode estar tanto nas menores demonstrações de carinhos, quanto nas maiores provas e desafios. Complicar aquilo que é simples é pra quem quer complicar a própria vida. O amor não precisa ser um projeto de vida. Pode sim ser um aconchego qualquer. Seja ele em pequenas coisas, seja ele em grandes pessoas. Amor tá no abraço de pessoas queridas, no carinho pelo cãozinho de estimação, no beijo apaixonado, na admiração secreta por alguém, naquela comidinha caseira de domingo, num sorriso familiar, no filme que você tanto esperou pra ver.

O amor vai estar em todos os cantos, em todos os momentos, se você souber carregá-lo dentro de você.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Eat, Pray, Love


"Tenho pouco talento (ou melhor, tenho preguiça) para pesquisar um lugar antes de viajar, e minha tendência é simplesmente aparecer e ver o que acontece. Mesmo assim, apesar de tudo, viajar é a verdadeira paixão da minha vida. Sou leal e constante em meu amor pelas viagens, de um modo com nem sempre fui leal e constante em relação às minhas outras paixões. Tenho pelas viagens o mesmo sentimento que uma feliz nova mamãe tem por seu recém-nascido barulhento, irrequieto e cheio de cólicas – simplesmente não ligo para o que elas me fazem suportar. 

Porque eu as adoro. Porque elas são minhas.

Porque são exatamente a minha cara."

sexta-feira, novembro 26, 2010

Elizabeth I

A Saraiva ontem (finalmente) mandou meu dvd do filme "Elizabeth". Adorei ver a Cate Blanchett no papel da rainha. 

Elizabeth I era filha de Henrique VIII e da rainha decapitada, Ana Bolena. Depois de passar a juventude toda sob prisão domiciliar por suspeita de conspiração, ela é coroada rainha logo após a morte da irmã. No reinado anterior, a contra reforma já tinha sido instaurada, e os católicos insistiam em transformar o país novamente numa nação obediente ao Papa. A pressão para que ela se casasse era enorme, já que quase todo mundo considerava a posição dela no trono ilegítima. Então depois de muita luta e conflitos, Elizabeth ganha estabilidade como rainha.

Ela governou sozinha a Inglaterra por 44 anos, foi responsável por transformar um reino estilhaçado por conflitos religiosos na nação mais poderosa do mundo , viu o auge do renascimento cultural, foi incentivadora das artes (naquele outro filme Shakespeare Apaixonado você pode notar que ele escrevia muitas de suas peças para ela). Enfim, ela se tornou a maior estadista que a Inglaterra já teve. Numa época em que uma mulher não tinha permissão para viver sozinha, e muito menos, governar, ela se mostrou capaz de desafiar todos os outros reinos da Europa, e transformar seu reinado na Era de Ouro.

Curiosamente, esse filme me lembra o último livro da Elizabeth Gilbert, sobre como uma mulher, mesmo nos dias de hoje, ainda não é completamente independente da obrigação social do casamento. Numa época em que as pessoas morriam (ou eram mortas) por questões religiosas, numa época em que igualdade ainda não fazia sequer parte da mentalidade geral, essa mulher conseguiu se tornar uma das figuras mais importante da história de um país.

sexta-feira, maio 28, 2010

Trecho de "Committed"

"Certa vez no passado, o dramaturgo grego Aristófanes relata, havia ouro no Céu e humanos na Terra. Mas nó humanos não éramos como hoje em dia. 

Ao invés disso, cada um de nós tinha duas cabeças, quatro pernas e quatro braços - uma perfeita junção, em outras palavras, de duas pessoas unidas, conectadas e formando um só ser. Nós existíamos em três possíveis variações de sexo: homem/mulher, homem/homem, mulher/mulher, dependendo do que servia melhor para cada criatura. Já que cada um de nós tinha o parceiro perfeito "costurado" em nós mesmos, éramos todos felizes. Assim, nós, perfeitas e contentes criaturas, nos movíamos pela Terra da mesma forma que os planetas viajam pelo universo - sonhadores, ordenados, suavemente. Nós não sentíamos falta de nada; nós não tínhamos necessidades algumas; nós não queríamos mais ninguém. Não havia brigas e nem caos. Nós éramos completos.

Por sermos completos, nós viramos excessivamente orgulhosos. Em nosso orgulho, nós negligenciamos a adoração dos deuses. O Todo Poderoso Zeus, então, puniu nossa negligência cortando nossa cabeça dupla e nossos oito membros, dividindo os humanos pela metade e criando um mundo cruel de criaturas com apenas uma cabeça e quatro membros. 

Nesse momento, Zeus instituiu a mais dolorosa condição humana: a constante sensação de que não éramos mais completos. Para toda a eternidade, humanos nasceriam sentindo que havia uma parte faltando - uma parte perdida que nós amamos até mesmo mais do que amamos a nós mesmos - e essa parte que falta estava em algum outro lugar, andando pelo planeta na forma de outra pessoa. Nós também nasceríamos acreditando que um dia encontraríamos essa outra metade, a outra alma. Nos unindo com outro, nós iriamos reconstituir nossa forma original, e nunca mais experimentar solidão novamente.

Essa é o desejo e fantasia de todo ser humano: que um mais um será, um dia, igual a Um."

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Healthy Mind, Healhty You.

Uma das grandes ironias dessa vida é o fato de que sua mente pode ser, ao mesmo tempo, sua melhor amiga e sua pior inimiga. Ela insiste em te dar ordens, como por exemplo, "vire à esquerda", e quando você obedece, ela parece dizer "você devia ter virado à direita, direita era melhor!". Vi um texto de Maharaji que diz que a sua mente é capaz de usar as melhores virtudes como desculpa para criar os piores vícios. 

Numa situação de pressão, a sua mente não vai te ajudar a solucionar o problema baseando-se no que é melhor para você. Ela vai procurar essa solução baseando-se nas idéias de o que é moralmente mais correto ou socialmente mais aceitável. Essa mesma mente vai querer também levar em consideração um pouco de orgulho e até mesmo ideais de vingança. 

E é por isso que, segundo Maharaji, você deve sempre deixar-se guiar pelo seu coração. Coração, não impulsos. Um impulso nada mais é que sua mente disfarçando-se de emoção. Todo mundo precisa do equilíbrio entre razão e emoção, mas, pelo menos uma vez ao dia, deixe sua mente um pouco de lado e ao invés de se perguntar "Eu devo ir para a esquerda ou para direita?", pergunte-se: "Para onde eu quero ir?". Pelo menos uma vez ao dia treine sua mente para obedecer seu coração.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Para Minha Irmã.

Bem, quando você nasceu eu tinha quatro anos e um mês. O ano mal tinha começado e as coisas já tavam ficando muito diferentes. Claro que eu fiquei com ciúmes quando você chegou. Eu era a filha única, o tesourinho do papai, a jóia da mamãe, e eu estava acostumada a receber muita atenção. E sabe, você nem parecia minha irmã.. eu era morena e magrinha, e você era loira de olhos claros e rechonchuda. Eu costumava te beliscar nos primeiros meses, e quando você começava a chorar, eu saía correndo. Adorava isso, porque nesses momentos mamãe e papai sempre diziam que você era muito barulhenta, enquanto eu nunca dei trabalho algum. Eu lembro que logo mais você batia sua cabeça na parede sempre que o papai brigava por você querer colocar o dedo na tomada. E eu ria. Eu me divertia. Você não parava quieta, não deixava trocarem sua fralda, jogava a papinha no chão, deixava todo mundo louco. Você virou o xodó de todos e mesmo assim não dava bola pra ninguem, tava sempre mau humorada e recebendo cada vez mais atenção. O padrinho te chamava de boneca, o MEU padrinho, que você tomou como seu. E, mesmo que seus cabelos tenham escurecido com o tempo, todo mundo sempre se referia a você como a jóia loirinha.

Você é a caçula da família, e sempre teve todas as regalias que só os caçulas têm, enquanto eu fiquei com todas as responsabilidades de irmã mais velha. Eu confesso que não cuidava tanto de você, só mesmo quando mandavam. Se pudesse te deixava por aí, te perderia pra você parar de enxer meu saco. Quando o papai e a mamae viajavam, a vovó cuidava da gente, e eu ficava com ciume porque ela sempre cortava frutinhas pra você comer. E você era egoista! Ah, era sim. Talvez até eu fosse também, mas você conseguia me superar nisso. Então houve aquele dia em que eu quebrei seu dedo, e eu quase morri! Quase morri porque era você, porque você era pequena, delicada, era minha irmã caçula, porque você era minha e eu tinha te machucado. Passei muito tempo sem te tratar mal ou gritar contigo. Mas, inevitável como em qualquer outra família, as briguinhas recomeçaram. Você ainda era pequena, tudo bem. Brigavamos feio as vezes. E aí a separação dos nossos pais nos aproximou, e muito. E não só porque nós dividimos a tristeza de ver nosso pai morando em outra casa, mas porque havia a necessidade de cumplicidade entre a gente nos momentos complicados. 


E eu passei a querer cuidar mais de você, a querer contar com você pras coisas, passei a depender de você muitas vezes pra amenizar muitas das minhas dores. Eu passei a confiar em você, passamos a ter nossos proprios esquemas, a tentar controlar as situações que nos cercavam e nunca dedurar as coisas erradas que fazíamos. Nós passamos por todo o período de instabilidade emocional juntas, mesmo que não exatamente perto uma da outra ou com palavras de consolo. A sua simples presença já me tranquilizava, e ainda tranquiliza quando a gente passa por um ou outro drama familiar. E então essa fase tem passado, e o nosso cotidiano passou a ser mais e mais alegre, e você agora consegue me fazer rir facilmente. Nós não somos iguais, não temos ainda gostos iguais - no futuro talvez. Você é calmaria (apesar de ter nascido no carnaval), tem personalidade forte, obedece muito a mamãe, não tem papas na língua e bate o pé pelo que quer, enquanto eu sou a traquina medrosa. Não é difícil perceber que você ta crescendo mais e mais e deixando de ser a menininha mimada que um dia foi. E você as vezes parece não aceitar isso, o que não deixa de ser normal, mas eu não me conformo. Gosto de te introduzir nas mudanças das novas fases da sua vida, gosto de sair com você e te ajudar a escolher roupas menos infantis, gosto de te levar pra fazer a unha e a sobrancelha. 

Você tem um lado ímpar, e mesmo ainda sendo nova, eu consigo te imaginar mais velha. Consigo imaginar o quanto você vai ser marcante quando crescer. Hoje ainda brigamos - pela TV do home, por opnioes diferentes, por puro stress, e por eu querer mandar nas suas decisões.. mas posso dizer que agora você é mais minha companheira do que a pedra no meu sapato que pareceu ser quando nasceu. Um dia vamos sair juntas, e voce ainda vai querer que eu te ajude nos seus esquemas quando for mais velha. Você vai crescer e eu espero poder acompanhar cada fase da sua vida. Você é um pedacinho importante na minha, e eu agradeço a Deus por ter te mandado pra mim.